Anistia Internacional e família de Marielle pedem que investigações não sejam negligenciadas

No dia em que o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes completa cinco meses, a Anistia Internacional, os pais, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, e a viúva de Marielle, Mônica Benício, protocolaram um documento junto à Secretaria de Segurança pedindo que as investigações do caso não sejam negligenciadas com o início do processo eleitoral. Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados no dia 14 de março deste ano no bairro do Estácio, na região central do município. Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016.

Eles foram direto ao setor de protocolos da Secretaria, localizado no 7° andar do prédio da Central do Brasil. No entanto, não foram recebidos pelo secretário de Segurança, general Richard Nunes. Mônica Benício afirmou que já esperava não ser recebida pelo secretário, o que, para ela, é “lastimável”:

– Não esperava nada diferente disso. Todo mundo está recluso. Acho lastimável porque demonstra dificuldade de diálogo, atesta o Terra.

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De acordo a diretora da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o grupo tentou agendar uma reunião com o secretário de Segurança na semana passada. A resposta, segundo ela, foi de que o encontro não poderia ocorrer nesta terça-feira. Eles aguardam, agora, uma nova data.

O documento, que não foi entregue à imprensa, pede uma investigação imparcial, a criação de um mecanismo independente, com juristas sem vínculo com o Estado, e a quebra do silêncio das autoridades sobre o caso do assassinato, segundo Jurema:

– Viemos protocolar um ofício reivindicando que as investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson não sejam negligenciadas no período eleitoral. É uma ação preventiva. Cinco meses é tempo demais. Já é tempo de saber quem matou Marielle e o porquê. Hoje protocolamos novamente o pedido de audiência.

TRANSFERÊNCIA PARA PF

Mônica considerou ser equivocada a ideia de transferir para a Polícia Federal a responsabilidade das investigações do caso. Para ela, mesmo com dificuldades, a Polícia Civil vem trabalhando com “competência”:

– Eu achei precipitada a ideia de passar para os federais. A Polícia Civil vem fazendo um trabalho com certa dificuldades, mas com competência. O delegado é bastante sério. Toda autoridade brasileira tem sangue nas mãos porque é um crime grave. A gente quer os resultados dessa investigação e os resultados corretos. Acredito que a Polícia Civil tenha que ter o seu tempo de trabalho – afirmou Mônica, que reafirmou que vem recebendo ameaças. A viúva, que vem recebendo ameaças, aguarda a definição de como será feita a sua proteção, pedida à comissão interamericana de Direitos Humanos:

– Tem que ser discutido agora com as autoridades. Está em negociação para a gente resolver como serão feitas essas medidas. A princípio, o que foi oferecido é um programa de proteção a testemunha, mas eu não sou testemunha de nada, sou defensora de direitos humanos, então esse programa não se aplica.

14/08/2018