MST quer R$ 250 mil para realizar ato pró-Lula em Brasília

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) chegou nesta terça-feira, 14, a Brasília para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aceitar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, ao Palácio do Planalto nas eleições 2018. Lideranças da entidade ligada ao campo querem que o PT e centrais sindicais paguem uma dívida de R$ 250 mil com a montagem das tendas para abrigar os 5 mil militantes acampados no entorno do Estádio Mané Garrincha. O registro da candidatura de Lula será feito nesta quarta-feira, 15, no TSE.

Há divergência no grupo sobre a estratégia política adotada pelo PT. “Estamos em divergência com setores eleitoreiros do próprio partido que querem ganhar a eleição a qualquer custo”, afirma João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento. Ele afirma que a defesa de Lula é uma “causa política” e, hoje, o MST não aceita discutir o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para substituir Lula na chapa do PT à Presidência, informa o Terra.

“Não aceitamos plano B. Haddad pode ganhar a eleição, mas vai ser mais uma Dilma Rousseff. Não terá força política. Só Lula tem força”, avalia João Paulo Rodrigues. “A direita quer a indicação dele (Haddad) para depois dizer que nós aceitamos participar do jogo”, completa. “Mesmo cassado, o nome do Lula tem de estar na cédula. Não queremos uma vitória eleitoral. Queremos uma vitória política.”

Até o começo da tarde, 130 ônibus desembarcaram militantes que participarão do ato previsto para esta quarta-feira. O trânsito na região central de Brasília ficou engarrafado. A maioria dos veículos foi alugada por grupos do MST e de cooperativas de pequenos agricultores da região do entorno de Brasília, de Goiás, da Bahia, de São Paulo e de Minas Gerais.

Há previsão da chegada de outros 70 carros. Nos bastidores, lideranças reclamam especialmente de figuras do PT da Bahia, que rejeitaram qualquer apoio para o deslocamento de militantes. Os alimentos consumidos no acampamento foram trazidos pelos sem-terra. O governo do Distrito Federal deslocou policiais militares para fazer a segurança dos acampados.

João Paulo Rodrigues avalia que, além das estratégias de alianças nos Estados, outros fatores impediram que o número de participantes no acampamento pró-Lula fosse maior. “Geralmente, as mobilizações ocorrem nas defesas de categorias. Não é o caso desta vez”, afirma. “Sindicatos e partidos também enfrentam problemas como a falta de dinheiro do imposto sindical e do fundo partidário. Como o MST não depende desses recursos, estamos em maioria aqui”, afirma.

Ele, no entanto, não deixa de cobrar maior empenho de legendas aliadas. “O PCdoB não joga a mesma energia de antes”, ressalta. “Agora, o MST não é filiado a partido, por isso não tem outro nome para a sucessão nem busca alianças. O que buscamos é acumular forças na nossa base”, afirma. “Se os tribunais negarem a candidatura de Lula, vamos sair derrotados apenas eleitoralmente.”

Cármen Lúcia recebeu dirigentes do MST

Houve cobrança dos sem-terra também no Supremo. Nesta tarde, um grupo de dirigentes foi recebido pela presidente da Corte, a ministra Cármen Lúcia. Compareceram à audiência o ativista Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Nobel da Paz de 1980, o ator Osmar Prado e o dirigente João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outros.

Durante o encontro, Stédile lembrou que, em 2006, quando o ex-presidente Itamar Franco apresentou o nome de Cármen, então procuradora-geral do Estado de Minas, a Lula para uma vaga no STF, o MST foi ao Planalto e chancelou o pedido. “Presidente, como único pedido, gostaria que a senhora lembrasse do nosso amigo em comum, o Itamar, que nesta hora estaria do nosso lado na defesa de Lula”, disse Stédile.

Eles entregaram um abaixo assinado com aproximadamente 240 mil assinaturas pela liberdade do petista. “Ao final, ela (Cármen) disse estar comovida, disse que vai transmitir aos demais ministros a importância desta reunião, disse que não pode antecipar nada, porque seria um pré-julgamento, seria falar fora dos autos, então ela não pode dizer nada do que fará”, relatou Carol Proner, professora de direito da UFRJ e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

O gabinete da ministra não se manifestou sobre o encontro. O grupo quer que o STF julgue o mérito de ações que tratam da possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. Apesar da pressão de colegas e movimentos sociais, Cármen resiste a levar o tema ao plenário da Corte. “Não há motivo para eles ficarem postergando (o julgamento), porque não é mais o caso do Lula, a Pastoral Carcerária disse que já prenderam 13 mil pessoas em São Paulo”, comentou Stédile.

15/08/2018